domingo, 18 de novembro de 2012




" É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe

É assim como a luz no coração


Mas pra fazer um samba com beleza

É preciso um bocado de tristeza

É preciso um bocado de tristeza

Senão, não se faz um samba não(...) "


GRANDE, vinícius.

sábado, 10 de novembro de 2012





" veja o quanto as águas ainda vão rolar "


  • - Ei, me deixe só falar uma coisa.. Sei que esta cansada, mas só tenho você para me ouvir, além de mim mesma.

    Um olhar de incentivo me fazia continuar.

    - Hoje acordei e era noite. Digo, noite dentro de mim, que sensação estranha!! Meus pensamentos está a 4.000 km/h, sabe? E depois de longas horas percebi uma coisa, esse destino não era para ser meu. Mas o que me dificulta é que ponho a cabeça para fora de casa e não vejo ninguém que me agrade. É como se nunca fosse achar um outro. E isso me assusta.

    - Sabe o que eu quero que você enxergue? Eu não falei isso antes porque achei que seria dolorido pra você, e que talvez no momento você não entenderia, mas Bob surgiu para você, no momento em que você precisava (mas não sabia que precisava). Não só na sua vida, mas na minha e na de Elisa também. Ele nos recheou com a parte mais verdadeira da vida, com os sentidos. Mas pra você ainda foi diferente, porque foi mais fundo, tocou num tipo de amor que você não conhecia, que eu não conheço. Melinda, leia isso com cuidado! Analise o que eu tenho pra lhe falar: Bob é um mestre. Um tipo muito sutil de homem, que além de ser homem, é um mestre. Eu não quero santificá-lo, porque ele é de carne e osso, mas ele tem um diferencial. O que ele despertou em você, além desse amor, (me desculpe se você discorda quando uso "amor" mas pra mim é o que isso é), foi toda a vontade de crescer, evoluir espiritualmente... Creio eu que reconhecer esse amor é parte da etapa. Porque, Melina, o amor não é a história que ouvimos quando éramos pequenas, e eu custei a aprender isso. O amor tem várias faces, e o mundo em que vivemos nos recheou com sentimentos mesquinhos como ciúmes, insegurança etc. Todos esses sentimentos é o que nos faz olhar pro amor com medo, mas o amor é puro, Mel!! E é essa pureza que precisamos alcançar. O que Bob despertou em você é algo grande, mas não é comum. Seja feliz por isso, caramba!! Não é uma questão de "lidar com o sentimento" mas sim de aprender com ele, colocar flores ao redor, e ser feliz por sentir isso.

    Naquele momento eu voltei a me enxergar. Parecia que tudo que eu tava sentido foi concretizado em palavras e jogados no ar. Me sentia leve, como se tivesse arrancado do meu peito toda a agonia. E por em menos de um segundo uma voz familiar, forte e firme penetrou em minha mente cantando " Tire esse azedume do meu peito e com respeito trate minha dor; se hoje sem você eu sofro tanto, tens em meu pranto a certeza de um amor; ".. AHhhh, Camelo!!

    - É EXATAMENTE ISSO, LUIZA!!! gritei tão firme e alto que meu cachorro pulou em cima de mim me lambendo descontroladamente com o rabo balançando na velocidade da luz. Gargalhei.

    - Bob veio e te presenteou, te deixou uma porta aberta para um novo tipo de vida, mundo, que seja. E o que você está sentido agora é parte da aprendizagem.

    Sorrir para ela e gritamos juntas: TRISTEZA MALDITA QUE NOS ROUBA DE NÓS MESMO!!!
    Gargalhadas invadiram a sala...

    Levantei do sofá com um tom de brincadeira, porém séria e indaguei.
    - 1,2, 3.. CÂMBIO, testando!! alô, Base?! Aqui é capitão da embarcação 023, gostaria de constar que passamos por uma turbulência no navio nos últimos dias, mas que as ondas voltaram a se acalmar. Não perdemos ninguém no temporal e a toda tripulação voltou a dançar!!

    - MINHA MELINDA VOLTOUUUUUUU!!, gritou Luiza me agarrando no pescoço e me enchendo de carinho.

    - Nada volta, minha neguinha, aqui só vamos PRA FRENTE E AVANTE!


    E o dia amanheceu em plena 22:40 PM.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Turbulência


Entre os dentes do cão mais feroz da cidade
encontra-se meu fígado.
E ao lado meu coração já destrinchado..

eu, 19 anos.

sábado, 29 de setembro de 2012

Ponto de ônibus

Um passo, dois passos, três passos e a contagem se perde nos pensamentos dele ao lembrar o rosto dela. "E a propósito, onde estava ela?"  O sinal de saída havia tocado há um tempo e pelas contas dos dias anteriores dez minutos já eram o suficiente para ela ter chegado. Ele então diminuiu o ritmo dos passos e antes mesmo de sua mente se concentrar em algo uma voz ofegante, porém doce, gritou seu nome. Ele virou como se tivesse a maior certeza do mundo que aquilo iria acontecer. E então os sorrisos se entrelaçaram... Uma conversa que durou uns três a quatro minutos no máximo para quem via de fora, e que para eles o inicio, meio e fim se embaralham sem previsão de acerto. As palavras que saíram da boca deles ficará na imaginação dos observadores e curiosos de plantão, mas estes sabiam que ali, naquela cena, existia uma das belezas do nosso cotidiano, a troca de sentimentos humano.

Um ônibus impediu minha visão sobre aqueles dois e voltei a escutar o cantarolar de Chico Buarque no meu fone, que falava de amor da melhor forma Chico de ser. O ônibus tomou partida e quando procurei a continuação daquela cena do outro lado da rua, só encontrei os cabelos loiros dele balançando contra o vento enquanto ele se dirigia para casa sozinho. Sorria tão lindamente para si mesmo que transmitia sua alegria para o exterior, ao ponto de me fazer sorrir sozinha também. Naquele momento ele se sentia, como de costume, o cara mais foda do planeta. Mas porque não se sentir? Ele é um cara cheio de disposição, autêntico, tem cada sacada sobre a vida em geral de dá inveja a muita gente e pra completar tinha aquela garota. Que talvez não seja fantástica e nem notado por outros, mas que para ele era o que precisava. Da unha do pé ao fio de cabelo. Aquele cara poderia sim se sentir o cara mais foda do planeta. E eu? daria um fígado para saber o que  ele estava pensando, naquele momento. Saber o que fazia ele sorrir tanto. Daí eu resolvi deixá-lo em paz e desviei meu olhar. Já havia explorado demais sua vida sem permissão.

Chico voltou a cantarolar...


eu, 18 anos.